A Intolerância Religiosa e as várias Eras

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Desde que o homem observou pela primeira vez uma estrela no céu, um relâmpago, ou ouviu um trovão e não conseguiu explicar, a ideia da existência de algo maior de um ser superior começou a existir, e de certa forma dar um sentido e com ele nasceram as explicações para sua existência.

 

Nos desenhos rupestres de 40 mil anos já podemos ver referências, o homem cultua os fenômenos da natureza desde o princípio. Cada grupo tinha suas representações e esses grupos ainda eram pequenos, familiares, onde não era necessário muito para manter as coisas no eixo. Se um membro saísse do eixo era expulso do grupo e estava resolvido, mas quando o homem deixa de apenas pescar, caçar, coletar e começa a criar animais e a plantar e se estabelecer, começa aí a ideia de sociedade. inicia-se as comunidades que deram início às primeiras cidades e com elas a ideia de poder.

 

Mais poderoso que aprisionar o corpo é aprisionar a alma, e a alma se aprisiona com o medo, manipulado pela fé e então vamos ter representações de entidades que explicam as questões humanas, deuses e deusas que neste momento surgem os panteões em todas as grandes civilizações: Egito antigo, Mesopotâmia, Grécia antiga, Roma antiga, persas, hebreus e outras.

 

A escrita, e com ela normas a serem aceitas e reproduzidas por sacerdotes que agora estão ligados ao poder não ao povo, sempre ligados aos dirigentes, aos chefes das tribos e depois aos reis que faziam suas guerras para conquistar outros povos, escravos e impunham seus deuses. Entre o matriarcado e o patriarcado dependendo das civilizações, até que surge o judaísmo de onde se originou a ideia de um Deus único que levou ao cristianismo e ao islamismo. O tronco é o mesmo das três religiões abraâmicas que juntas plantaram de um lado amor por suas ideias de origem, mas por outro plantaram muita dor devido ao mau uso da interpretação da palavra dita de Deus.

 

O fato é que se matou muito mais em nome de Deus nas chamadas guerras santas do que em todas as outras guerras juntas e assim segue até os nossos dias. Não vou me aprofundar evidentemente pois não é o caso, e esse é um assunto sem fim. 

 

Mas embora estejamos em pleno século 21 ainda convivemos com a intolerância religiosa e não se trata apenas de fé. Toda intolerância está ligada a um fator de poder de um grupo em relação ao outro. Fatores de cunho pessoal, assim como de cunho institucional, onde apesar de vivermos em um país laico onde teoricamente o Estado e a religião deveriam andar em separado, ainda existem perseguições e agressões por falta de uma política de proteção aos direitos humanos no que concerne ao direito de culto acompanhado de respeito e segurança contra o preconceito e a violência emocional e racial, sobretudo em relação as de origem africana. 

 

Os negros africanos que trouxeram para o Brasil seus ritos, cultos aos orixás que no país são conhecidos como candomblé, umbanda e outras denominações regionais e que são perseguidos há séculos, desde o Brasil colônia e escravagista quando espancavam seus escravos por encontrarem os assentamentos dos orixás debaixo dos altares católicos, cuja religião eram obrigados à prática, mas não podiam sequer entrar nas igrejas pois os consideravam sem alma, e assim foram considerados por muito tempo pela Igreja Católica. Afinal, se aceitava a escravidão, além do fato dela mesma possuir muitos deles. Isso mesmo! A Igreja possuía escravos que eram dados como presentes, donativos para as igrejas e religiosos pelos grandes escravistas. Justiça seja feita, os protestantes e seus pastores também possuíam escravos. 

 

Além dos cultos africanos, os indígenas também sofreram perseguição e proibição pela igreja assim como dos governantes, pois as duas instituições se confundiam. Devemos lembrar que a primeira coisa que os europeus, portugueses colonizadores, fizeram foi tentar escravizar os índios enquanto os religiosos os catequizavam. Começa aí a intolerância religiosa no Brasil! O cristianismo também foi perseguido por séculos no mundo romano foram mortos aos milhares até se tornar a religião oficial de Roma. Já que não foi vencida, foi incorporada. Ainda é perseguida em algumas partes do mundo, como em partes da China, por exemplo.

 

Os judeus foram perseguidos por milênios, sofreram perseguição na Antiguidade, na Inquisição durante a Idade Média e em meados do século 20 aconteceu um dos maiores horrores, o Holocausto com 6 milhões de judeus assassinados das formas mais bárbaras possíveis. No Islamismo ainda há muita guerra entre os mesmos por divergências de interpretação. Há uma batalha sem fim com os judeus e vice-versa, que faz com que o mundo seja intolerante com os muçulmanos, que em sua imensa maioria não seria capaz de fazer mal a um inseto. O todo acaba pagando pela parte.

 

No Cristianismo hoje há também uma guerra de ideias entre católicos e evangélicos. Evangélicos extremistas atacam centros espíritas e igrejas católicas, destroem templos, quebram imagens, espancam pessoas e tentam obrigar as pessoas a seguir a verdade deles, mas não são todos evidentemente. Há denominações muito sérias entre os evangélicos.

 

A intolerância faz isso, reduz o ser humano ao não pensar e a não empatia.  A religião se tornou uma grande disputa de ego e de poder, onde o verdadeiro sentido deveria ser o amor e a empatia e não o contrário, que faz com que o ódio tome conta do coração das pessoas.

 

Não importa o nome que damos a Deus, ou se dividimos seu nome em vários, tudo é Deus no final e na essência.  Neste mundo há trevas, cujo o verdadeiro nome é a ignorância, que se trata do desconhecimento do verdadeiro amor que nos liberta e a luz que a dissipa, cujo verdadeiro nome é conhecimento libertador! 

 

Deus está em todas as coisas e não pertence a ninguém, em especial todos nós, independentemente de qualquer coisa é que pertencemos a ele.

 

Quero deixar uma consideração final: se alguém discute, se ocupa para convencer e para impor sua verdade, esse alguém deveria ocupar-se a gastar esse tempo para convencer a si mesmo. Devemos amar, amar e amar e isso significa respeitar o que diverge. Ninguém precisa concordar, mas todos precisam respeitar…

 

Por Ivan Martins

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