A sua Árvore Genealógica está realmente viva? A sua família pulsa?

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

A frase mais comum que eu ouço tanto nos programas de rádio quanto nos trabalhos de constelação familiar é: “A minha vida está parada, não vai para frente”.

 

Quando abrimos a constelação dessas pessoas e colocamos os representantes que nunca viram essa pessoa e nem conhecem sua história, detectamos que muito deles, inclusive a pessoa constelada, olha para o chão. Olhar para o chão significa olhar para alguém morto.

 

Existem muitas famílias que vivem nesse mundo, junto com os mortos. Por isso, a vida não anda. Estamos disponíveis de fato para a vida?

 

Também ouço muita gente dizer: “Eu nem conhecia esse tio que morreu e minha mãe nunca se recuperou ou, minha avó nem falava desse filho perdido ou que morreu jovem”.

 

Certa vez constelei uma mulher que veio olhar para outro tema da vida dela e quando me sentei perto veio a seguinte frase: Quem desistiu? Ela me olhou sem nenhum espanto e me disse: ninguém. Eu então coloquei uma pessoa para representá-la e uma pessoa para a questão dela. Lógico, ela olhava para o chão. Coloquei alguém deitado no chão e ela nesse momento lembrou-se de um tio que se suicidou um mês depois do nascimento dela e que após muitos anos a família ainda não aceitava o fato.

 

Constelei uma senhora que também trouxe um tema relacionado a dinheiro e profissão. Perguntei a ela se havia acontecido algo grave há 10 anos, tempo que ela dizia ser o início das perdas, mas ela não se lembrou de nada significativo. Coloquei a constelação e os representantes e me veio a pergunta: “Alguém perdeu um filho?” Ela me disse: “Eu perdi um filho bebê há 10 anos”. Todos ficaram em silêncio e depois de um tempo ela ficou espantada em ver que ela apagou essa história da memória e sem perceber parou sua vida lá.

 

Não somos um cérebro isolado, não somos isolados. A neurociência cada vez mais consente que a Consciência é um campo de informação e as memórias consolidadas não tem tempo.

 

Não vivemos somente a nossa vida, a nossa existência, carregamos conosco muitas pessoas, muitas experiências. A alma da nossa família cria um campo de informação e, quando nascemos, participamos desse campo com tudo o que ele contém. Acredito hoje que uma das grandes missões do ser humano é ir além de campo, ir além do sofrimento, ir além da morte em direção à eternidade, ao movimento, à aceitação da vida com tudo o que ela contém! Cada indivíduo pode fazer isso começando por si mesmo, através da informação invisível que atua em nós. Através da informação espiritual.

 

O campo morfogenético pesquisado incessantemente por Rupert Sheldrake abre a possibilidade de enxergarmos, com os nossos olhos espirituais, em que história ou área nossa família ou esse campo ainda está em sofrimento. Em que momento esse campo parou? Existe possibilidade de ir além dessas histórias?.

 

Esse campo é tão divino que, através do nosso olhar de respeito, os movimentos se tornam possíveis para todos da árvore genealógica, na eternidade, sem tempo, todos se beneficiam da clareza da consciência. Os vivos e os “mortos”.

 

E… assim, voltamos pulsar na vida, nos sonhos realizados na maturidade espiritual.

Por Simone Arrojo

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