Nos últimos anos, o mundo se acostumou a estar permanentemente conectado. Do trabalho às redes sociais, grande parte da rotina acontece diante de telas que informam, entretêm e aproximam. No entanto, segundo o médico clínico geral Dr. Carlos Augusto Ribeiro, diretor da InCórpore e do Eco Medical Center, esse excesso de conexão tem cobrado um preço alto da saúde física e emocional.
O poder oculto em se manter presente
Para ele, o caminho para o equilíbrio pode estar justamente em aprender a se desconectar. “Durante a semana, estamos muito conectados. Precisamos criar momentos em que nos permitimos ficar off, porque é nesse tempo desconectado que a vida realmente acontece”, afirma o médico, que também é atleta e já superou um câncer. Além do impacto emocional, o Dr. Carlos chama atenção para os efeitos físicos do uso excessivo de telas. Ele destaca que a rotina hiperconectada tem contribuído para o aumento do sedentarismo e da obesidade, fatores diretamente associados a diversas doenças crônicas.
O impacto das telas no sono, no humor e na concentração
Estudos científicos reforçam esse alerta. Uma pesquisa realizada na França analisou o tempo de exposição às telas entre jovens e concluiu que quanto maior o período conectado, menor o tempo e a qualidade do sono, além de maior dificuldade de concentração, prejuízo na memória e instabilidade de humor no dia seguinte.
O médico ressalta que esse impacto não se restringe às gerações mais jovens. “A iluminação das telas tem efeito estimulante no cérebro, ficamos alertas. Ou a pessoa demora para dormir, ou desperta na madrugada pensando no que viu no celular. Isso compromete o descanso, humor e, com o tempo, até o sistema imunológico”, alerta, aconselhando entrar no “modo off” pelo menos duas horas antes de dormir.
Uso consciente da tecnologia: equilíbrio, não demonização
Apesar das críticas ao excesso, o Dr. Carlos reforça que telas e redes sociais não devem ser encaradas como vilãs absolutas, pois há quem produza conteúdos bons, educativos e sérios. Para ele, a chave está no uso consciente e na escolha do conteúdo consumido. “Nós temos o poder de administrar essa situação. Se o conteúdo não agrega em nada, é uma escolha mudar de tela ou largar o celular para conversar com a família, fazer uma atividade física, ler um livro, sair de casa e ver os amigos. Se a intenção é aprender algo, não há problema. Busque informação de qualidade e limite o tempo de tela”, orienta.
Como forma de aprofundar o autoconhecimento e reduzir o ritmo acelerado do cotidiano, o médico também sugere a leitura de filosofia. “Há autores que falam de forma fácil e possuem livros gratuitos na internet. A filosofia nos ajuda a conhecermos a si próprios, rever valores, ter senso crítico e controle da própria vida. Passamos a nos questionar o que é sucesso, se precisamos de mais dinheiro e se tudo tem que ser urgente”, reflete.
Viver no Off é viver presente
Mais do que um simples detox digital, o conceito de “Viver no Off” proposto por Dr. Carlos está diretamente relacionado à presença. Em uma rotina dominada por notificações, tarefas e urgências, muitas pessoas deixaram de viver o momento. “Precisamos resgatar a presença. Estar de corpo e mente naquele instante, seja em uma refeição com a família, numa conversa com amigos ou durante uma caminhada. É isso que aumenta a qualidade da nossa vida.”
Esse tempo de qualidade, segundo o médico, deve ser encarado como um verdadeiro investimento em saúde. A desconexão intencional cria espaço para atividade física, descanso mental e lazer genuíno, fatores que ajudam a reduzir o risco de doenças crônicas como hipertensão, AVC, estresse crônico e diabetes.
Movimento como parte essencial da saúde
No consultório, Dr. Carlos relata que é comum ouvir pacientes dizerem que não gostam de atividade física. Para ele, no entanto, movimentar-se não é uma opção, mas uma necessidade. “É comum eu ouvir no consultório: ‘não gosto de atividade física’. Mas no meu ponto de vista, movimentar-se é inegociável. E hoje tem tantas alternativas de esportes e atividades, pagas e gratuitas. Pelo menos caminhar por 30 minutos, 3 vezes na semana. Os benefícios da atividade física são inegáveis”, incentiva.
A força do verde como antídoto natural para o estresse
Outro ponto destacado pelo médico é o poder do contato com a natureza. Estudos realizados em países escandinavos mostram que a convivência frequente com áreas verdes, como parques, praças e florestas, reduz significativamente o estresse e melhora o bem-estar físico e emocional. Pesquisas indicam que crianças com pouca exposição à natureza têm até 55% mais risco de desenvolver transtornos psiquiátricos na vida adulta. Além disso, viver próximo a áreas verdes está associado a menores índices de depressão e burnout. “Mesmo que seja apenas caminhar perto de uma árvore ou observar o verde pela janela do carro, o corpo responde com relaxamento, melhora do humor e sensação de bem-estar. É um remédio gratuito e natural”, reforça.