Julho é o mês de Nanã Burukê: conheça tudo sobre a Orixá

Julho é o mês em que o tempo parece andar mais devagar. As águas se tornam espelho, os ventos sussurram lembranças, e o barro se revela como matéria sagrada. É o mês de Nanã Burukê, a mais velha entre os Orixás, senhora do princípio e do fim, do lodo primordial e do silêncio fecundo. 

Nanã representa o princípio feminino ancestral

Nanã é tempo ancestral que não se apressa. É memória viva que não se apaga. É ventre que acolhe, mas também cova que devolve ao início. No panteão iorubá, Nanã representa o princípio feminino ancestral, ligada à lama dos pântanos e à água parada, mas que guarda mistérios e segredos. É através do barro que ela modela os corpos, dando-lhes forma antes que Oxalá sopre o sopro vital. Seus filhos e filhas costumam ser pessoas sábias, resilientes, silenciosas, profundas como o lodo e firmes como a terra molhada depois da chuva.

Não perca nenhuma novidade da Rádio Vibe Mundial! Acompanhe ao vivo!

A força de Nanã

Nanã é a senhora da morte, mas não do fim e sim da transmutação. Ela não assusta, ela transforma. Leva o que precisa partir e devolve à natureza o que precisa renascer. Sua energia está presente nos rituais de passagem, nos ciclos que se encerram, nos lutos que curam, nos silêncios que regeneram. Sua força é firme, mas amorosa. Materna, mas impassível. Seu axé ensina que é preciso saber deixar ir.

Como se conectar com Nanã

Conectar-se com Nanã é aprender a escutar o tempo, respeitar os ciclos, entender que há sabedoria em recuar e coragem em calar. Para senti-la mais próxima, confira as dicas abaixo:

* Medite perto da água parada — um lago, uma represa, até mesmo uma bacia com água e folhas. Converse com ela, silencie e ouça.

* Trabalhe a aceitação — tudo que chega tem um tempo, e tudo que parte também. Nanã ensina o desapego com dignidade.

* Abrace os mais velhos — Nanã vive em cada anciã que carrega a sabedoria da vida. Honre os cabelos brancos e o andar lento.

Banho de conexão com Nanã

Prepare um banho com ervas que trazem a força de Nanã. Misture os seguintes ingredientes: Folha de mangueira, Babosa, Alfazema, Folha de taioba e Capeba (pariparoba).  Ferva as folhas, espere amornar e jogue do pescoço para baixo após o banho higiênico. Enquanto a água escorre, peça firmeza emocional, sabedoria para aceitar os ciclos e bênçãos para sua ancestralidade. Deixe o corpo secar naturalmente e, se possível, durma sem enxugar-se com toalha, para manter o axé.

Elementos de Nanã

* Cor da vela: Roxa, lilás ou branca

* Flor: Lírio roxo, margarida roxa ou hortênsia

* Oferenda simbólica: Barro úmido moldado com suas mãos, entregue próximo a um lago ou árvore frondosa, com flores por cima e uma vela roxa acesa ao lado. Acenda com respeito, faça um pedido e deixe que a natureza leve.

Nanã no dia a dia

Para viver com o axé de Nanã no cotidiano, desacelere. Honre sua história. Cuide dos mais velhos. Respeite seus limites. Dê valor aos silêncios. Pratique o acolhimento, mas sem carregar pesos que não são seus. Nanã nos ensina que morrer para o que não serve é renascer para o que realmente importa. Julho é mês de reverência. De deixar ir com amor. De transformar com sabedoria. De honrar o barro que somos e que um dia seremos de novo. E nesse ciclo eterno, Nanã é guia, colo e chão. Saluba Nanã! Que sua lama cure, que seu tempo ensine, que sua força nos sustente.

Bàbá Exu, Ranier Gulusian, apresenta o programa “Caminhos do Axé” toda quinta-feira, a partir de 12h

 

Usamos cookies para melhorar sua experiência e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade.

Configurações de Privacidade

Escolha as categorias de cookies que deseja aceitar. Você pode alterar estas preferências a qualquer momento.